Maio, 2026
Segundo a Associação Nacional de Empresas de Pesquisa de Mercado (ANEP), a pesquisa de mercado pode ser definida formalmente como: “A coleta sistemática e o registro, classificação, análise e apresentação objetiva de dados sobre hábitos, comportamentos, atitudes, valores, necessidades, opiniões e motivações de indivíduos e organizações dentro do contexto de suas atividades econômicas, sociais, políticas e cotidianas”. Nesse sentido, uma tendência crescente dentro do ramo do agronegócio é a realização dela por empresas ou mesmo produtores, para identificar oportunidades de entrada em novos mercados, expansão de atuação e identificação de dores a serem solucionadas.
Dessa forma, aplicando a pesquisa de mercado ao se analisar as Regiões Geográficas Intermediárias (antigas Macrorregiões, devido a mudança na nomenclatura oficial do IBGE em 2017) do estado de São Paulo, tem-se ao todo 11 áreas em que ele é dividido, que possuem maior complexidade, abrangência de serviços e centros urbanos de influência. São elas: São Paulo, Sorocaba, Bauru, Marília, Presidente Prudente, Araçatuba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Araraquara, Campinas e São José dos Campos (Vale do Paraíba). Constata-se que, cada uma possui suas particularidades econômicas, contudo todas têm um ponto em comum que merece atenção.
Diante desse quadro, destaca-se o setor sucroenergético, tal como sua relevância para a economia estadual paulista. De acordo com o repositório de dados do site UNICA Data (Observatório da Cana e Bioenergia, feito pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), constata-se que a safra da cultura em 24/25, conforme as informações da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), teve participação estadual de São Paulo no total da área colhida em, aproximadamente, 50% a nível nacional, demonstrando sua liderança no setor sucroenergético e até mesmo na produção de subprodutos da cana, como no caso do etanol de milho.
Um exemplo da produção desse item é a Usina Cereale, na cidade de Dois Córregos, que é a única em operação especificamente focada em milho, entretanto deve-se mencionar que as usinas de SP geralmente são tradicionais (o modelo flex ou híbrido vem crescendo também), usando o milho da entressafra para ser processado, diferente das do Centro-Oeste (por fabricar mais etanol de milho, possui mais usinas “full”). Além de outras em desenvolvimento, como a Usina Aliança (em Penápolis), que é um projeto de nova planta produtora de cana e milho, e outra iniciativa é o da Millenium Bioenergia (apenas a sede administrativa fica em SP, as usinas estão presentes em regiões como a Norte e Centro-Oeste), que busca o processamento de milho para o etanol.
Outros pontos relevantes da cana de açúcar, é que o estado detém 1.821.815 hectares (ha) de área de viveiros, 10.860.489 ha de área em reforma (expansão + renovação), 84.411.283 ha de área colhida e 97.093.587 ha de área cultivada.
Figura 1: Share de cada estado no total da área colhida de cana-de-açúcar.
Fonte: UNICA Data, 2026.
Além disso, nota-se que, em termos de comércio exterior, esse protagonismo também se confirma, de modo que, nos últimos 7 anos (civis, não ano safra), o estado teve um volume de exportação líquida de 115,38 milhões de toneladas de açúcar (somando o bruto e o branco), correspondendo a 61,96% do total exportado. Para o etanol (somando os dados do anidro e hidratado), tal quadro é ainda mais positivo, dado que para o mesmo período, exportou 10,04 milhões de metros cúbicos, respondendo por 78,94% do volume do montante nacional.
Figura 2: Volume de açúcar exportado por estado no Brasil (em toneladas) nos últimos 7 anos civis.
Fonte: UNICA Data, 2026.
Figura 3: Volume de etanol exportado por estado no Brasil (em metros cúbicos) nos últimos 7 anos civis.
Fonte: UNICA Data, 2026.
Trazendo um panorama desse setor em específico pelo relatório do UNICA Data “Fotografia do Setor Sucroenergético no estado de São Paulo e os Benefícios Econômicos, Ambientais e Sociais Gerados”, há mais informações que validam a influência do estado, como o fato de existirem 345 usinas no Brasil e 143 serem da unidade federativa de São Paulo. Ademais, 472 de seus municípios atuam ligados ao cultivo, representando mais de 70% (tem 645 municípios).
Nesse prisma, outros insights estão relacionados à relevância da atividade para a produção agropecuária estadual, como no Valor da Produção Agropecuária (VPA), que ocupou a primeira posição em 2023, sendo que atualmente está na segunda, atrás apenas da carne bovina. Todo o somatório dessas funções desempenhadas pelo setor sucroenergético, também geram impacto social, do ponto de vista da oferta de empregos nacionais diretos (280 mil) e indiretos (850 mil), atuação de produtores independentes e impacto de sustentabilidade e benefícios ambientais, como a liderança na geração de energia renovável, bioeletricidade sucroenergética.
Há ainda o destaque pertinente da safra 24/25 brasileira ter tido 36,39% da produção do etanol proveniente do estado de São Paulo (13,56 milhões de metros cúbicos) e sua contribuição na geração de energia nacional no ano civil de 2025 foi de 10,5% (aproximadamente 65 milhões de MWH), considerando a bioeletricidade e demais fontes da matriz elétrica.
DIEU, Jacques. Mapa das usinas de Etanol de Milho no Brasil. [S. l.], 2025. Disponível em: <https://www.linkedin.com/posts/jacquesdieu_mapa-das-usinas-de-etanol-de-milho-no-share-7294660074625499138-VBDK/>. Acesso em: 3 de maio de 2026.
SEBRAE. Pesquisa de Mercado. [S. l.], 2001. Disponível em: <https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/24131C962E2F9B6C0325714700683043/$File/NT00031FF6.pdf>. Acesso em: 3 de maio de 2026.
UNICA. UNICA Data: Observatório da Cana e Bioenergia. [S. l.], 2026. Disponível em: <https://unicadata.com.br/>. Acesso em: 3 de maio de 2026.