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ADECA NEWS - DEZEMBRO/2025

Agro nacional pressiona governo por proteção em meio às negociações com a UE – 24/02/2026

Neste mês de fevereiro o setor agropecuário brasileiro intensificou a pressão sobre o Governo Federal para a edição imediata de um decreto que estabeleça salvaguardas comerciais no âmbito do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Embora o setor seja favorável à abertura comercial, a preocupação central reside na competitividade dos produtos nacionais frente às novas e mais rígidas regras ambientais aprovadas pelo Parlamento Europeu no fim de 2025. O governo, via vice-presidência e Casa Civil, já confirmou a preparação do texto, mas a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) exige celeridade diante da iminente votação do acordo na Câmara dos Deputados, prevista para esta semana.

 

O ponto de maior atrito é o chamado "gatilho de investigação". A proposta europeia atual estabelece que, se as importações de um produto agrícola considerado sensível crescerem 5% na média de três anos, a União Europeia pode suspender benefícios tarifários. Para lideranças do agro, essa régua é irreal para a produtividade brasileira: produtos como milho, carne bovina e açúcar registraram saltos de exportação muito superiores a esse índice nos últimos anos, chegando até 95%. Sem mecanismos de proteção equivalentes, o setor teme que o crescimento da produção brasileira se torne um "impedimento" para o acesso ao mercado europeu.

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A urgência da FPA também se justifica pelo avanço do processo em outros países do bloco, como a Argentina. Caso qualquer parlamento ratifique o texto provisório antes do Brasil estabelecer suas proteções, as regras europeias poderiam passar a valer imediatamente sem o devido contrapeso nacional. O relator do acordo na Câmara, deputado Marcos Pereira, indicou que o texto original do tratado internacional não sofrerá alterações, já que acordos desse tipo são ratificados ou rejeitados integralmente, mas que recomendações e articulações paralelas, como o decreto de salvaguardas, serão fundamentais para viabilizar a aprovação na casa.

Fonte:

 

G1. Acordo UE-Mercosul: agro pressiona governo por decreto para proteger setor antes de votação na Câmara. Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/02/24/acordo-ue-mercosul-agro-pressiona-governo-por-decreto-para-proteger-setor-antes-de-votacao-na-camara.ghtml>. Acesso em: 25 fev 2026.

Menos milho nos EUA pode ampliar espaço do Brasil no mercado global - 23/02/2026

Menos milho nos EUA pode ampliar espaço do Brasil no mercado global.png

 

O 102º Fórum Anual de Perspectivas Agrícolas do USDA, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, foi realizado no Crystal City Gateway Marriott nos dias 19 e 20 de fevereiro de 2026. Uma das projeções apresentadas no Fórum é a redução da área destinada ao milho e a expansão da soja. Nesse cenário, a soja tem área projetada em 34,4 milhões de hectares para a safra 2026/27, comparado aos 32,9 milhões de hectares da safra 2025/26. Por outro lado, o milho tem sua área reduzida de 40 para 38 milhões de hectares para a safra 2026/27.

 

Tem-se como principais fatores para o recuo da área destinada ao milho o preço, os custos e as margens de lucro, além da crescente competição com a soja na definição do mix produtivo. Além desses fatores financeiros, tal competição também é dada pela demanda interna crescente, especialmente pelo óleo voltado aos biocombustíveis. Vale destacar que políticas estaduais de baixo carbono, como o LCFS (Low Carbon Fuel Standard) da Califórnia também impulsionam esse fator. 
 

Quanto às demais culturas, como o trigo e algodão, estas também sofreram leves reduções de área. Dessa forma, a produção de milho é a mais impactada pelo redesenho do sistema produtivo estadunidense, visto que esta medida pode significar condições favoráveis para a competitividade brasileira no que tange à exportação mundial, dado a demanda internacional crescente. Assim, esse cenário abre um espaço maior para a exportação de milho do Brasil.

Fonte:

 

Itaú BBA. Outlook Forum 2026/27: menos milho e maior protagonismo da soja. 23 de fevereiro de 2026. Disponível em: <https://www.itau.com.br/media/dam/m/2391ed49c45eacfa/original/Radar-Agro_Outlook_Forum_USDA_ItauBBA.pdf>. Acesso em: 25 fev 2026.

Exportações de soja recuam em fevereiro, mas seguem acima do ano passado - 24/02/2026

A Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) reduziu a projeção de exportação de soja do Brasil em fevereiro para 10,69 milhões de toneladas. Mesmo com o corte de 800 mil toneladas em relação à estimativa da semana anterior, o volume projetado ainda ultrapassa em quase 1 milhão de toneladas o recorde registrado no mesmo mês do ano passado.

 

A revisão acontece em meio ao ritmo de colheita mais lento dos últimos cinco anos, afetado por um plantio tardio, pelo aumento do ciclo das lavouras e por chuvas frequentes. Essas adversidades têm gerado severos problemas logísticos, dificultando não apenas a retirada do grão do campo, mas também causando a interrupção no carregamento de navios e filas quilométricas de caminhões rumo aos portos. O escoamento da safra foi afetado também por paralisações pontuais, como a recente ocupação de um terminal da Cargill em Santarém (PA) por manifestantes indígenas.
 

Exportações de soja recuam em fevereiro, mas seguem acima do ano passado.png

Esse cenário de lentidão e dificuldades logísticas reflete-se também nos derivados e em outros grãos: a previsão de embarque do farelo de soja foi ajustada para baixo, configurando uma queda na comparação com o ano anterior. Desse modo, mesmo que o Brasil siga sendo um grande exportador, o pleno escoamento da safra neste começo de ano conflita com problemáticas estruturais e climáticas.

Fonte:

 

FORBES Agro. Anec Corta Previsão de Exportação de Soja no Brasil em Fevereiro. 24 de fevereiro de 2026. Disponível em: <https://forbes.com.br/forbes-agro/2026/02/anec-corta-previsao-de-exportacao-de-soja-no-brasil-em-fevereiro/>. Acesso em: 25 fev 2026.

Agro brasileiro reforça protagonismo na agenda climática internacional - 25/02/2026

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O agronegócio brasileiro reforçou seu posicionamento na agenda climática internacional ao defender a agricultura tropical como ativo estratégico para a segurança alimentar e a mitigação das mudanças climáticas. O movimento ocorreu no contexto do Dia do Agronegócio, comemorado no último dia 25, e das discussões preparatórias para a COP 30, destacando práticas como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta e recuperação de pastagens como exemplos de aumento de produtividade com menor pressão ambiental.


O setor sustenta que o modelo produtivo nacional combina escala, tecnologia e sustentabilidade, permitindo crescimento da produção sem expansão proporcional de área. Diante do peso econômico do agro, responsável por cerca de 23% do PIB em 2024 de acordo com o CEPEA e a CNA e quase metade das exportações brasileiras no mesmo ano, como relata o Governo Federal, o reposicionamento climático também tem implicações comerciais relevantes. A estratégia busca reduzir barreiras não tarifárias, ampliar o acesso a financiamentos verdes e fortalecer a competitividade do Brasil em mercados internacionais cada vez mais exigentes em critérios ambientais.

Além disso, a defesa da agricultura tropical como parte da solução climática reforça o argumento de que o Brasil possui vantagens comparativas estruturais, como disponibilidade de terras agricultáveis, tecnologia desenvolvida para clima tropical e elevada eficiência produtiva. Esse posicionamento também dialoga com a crescente demanda internacional por alimentos produzidos sob critérios de sustentabilidade, rastreabilidade e conformidade ambiental. Ao alinhar produção e agenda climática, o setor procura reduzir riscos regulatórios externos e consolidar sua imagem como fornecedor estratégico para a segurança alimentar global.


Nesse cenário, a discussão climática passa a integrar a estratégia econômica do país, uma vez que o desempenho do agronegócio impacta diretamente a balança comercial, a geração de divisas e o crescimento do PIB. Assim, o fortalecimento do discurso sustentável não se limita ao campo ambiental, mas assume dimensão econômica e geopolítica, podendo influenciar negociações comerciais, fluxos de investimento e o posicionamento no mercado internacional de commodities agrícolas.

Fonte:

 

O PRESENTE RURAL. Agro brasileiro transforma agricultura tropical em ativo estratégico na agenda climática. 24 de fevereiro de 2026. Disponível em: <https://opresenterural.com.br/agro-brasileiro-transforma-agricultura-tropical-em-ativo-estrategico-na-agenda-climatica/>. Acesso em: 25 fev 2026.

 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA. Brazilian agribusiness reaches historic milestone in global food security. 3 de fevereiro de 2025. Disponível em: <https://www.gov.br/agricultura/en/news/brazilian-agribusiness-reaches-historic-milestone-in-global-food-security>. Acesso em: 26 fev. 2026.

 

CEPEA – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (ESALQ/USP). Brazilian agribusiness GDP. [s.d.]. Disponível em: <https://www.cepea.org.br/en/brazilian-agribusiness-gdp.aspx>. Acesso em: 26 fev. 2026.

 

Taxa de emprego no agro atinge maior nível desde 2012 no Brasil - 09/02/2026

 

No último dia 9, o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em conjunto com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) divulgou pesquisas realizadas no terceiro semestre de 2025, que registraram 28,58 milhões de trabalhadores empregados no agronegócio brasileiro. Em relação ao mesmo período em 2024, houve um aumento de 2,0%, aproximadamente, 569 mil novos atuantes no setor e, considerando toda a série histórica, desde 2012, este é o maior contingente registrado para um trimestre.


Esse avanço impulsionou a representatividade do setor, que passou a abranger 26,35% do total de ocupações em todo o Brasil, superando a marca de 26,15% registrada no mesmo trimestre do ano anterior. A alta no número de empregados foi observada de forma generalizada em todos os elos da cadeia produtiva na comparação com 2024. O maior destaque percentual ficou por conta do segmento de agrosserviços, que saltou 4,5%. Esse desempenho expressivo está fortemente atrelado à retomada das atividades agroindustriais, à manutenção de elevados níveis de abate e às expectativas de safras recordes, fatores que aquecem a demanda por mão de obra em áreas que dão sustentação à produção agropecuária.

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Além dos serviços, os demais grupamentos também apresentaram números positivos no período. O segmento de insumos cresceu 1,5%, reflexo direto do fortalecimento econômico das atividades no campo, o que alavancou a contratação em indústrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários e máquinas agrícolas. Dentro da porteira, o setor primário avançou 0,7%, com desempenhos favoráveis na geração de empregos tanto na agricultura quanto na pecuária. Já a agroindústria apresentou um incremento de 1,0%, puxada por ramos de base agrícola, como: vestuário, móveis, bebidas e etanol, e de base pecuária, a exemplo das indústrias de abate de animais e laticínios.


Outro ponto de destaque do levantamento é a melhoria na qualidade e na formalização dessa força de trabalho. O crescimento da ocupação no agronegócio foi impulsionado, principalmente, pelo aumento de empregados com carteira assinada, que atingiram o patamar recorde de 9,67 milhões de pessoas, e pelos trabalhadores por conta própria. Paralelamente, notou-se uma evolução no grau de escolaridade dos profissionais, com altas significativas no contingente de pessoas com ensino médio (4,8%) e superior (7,4%). 


Para completar o cenário otimista, os rendimentos médios habituais também registraram aumento real na maior parte dos segmentos do setor, consolidando o papel crucial do agronegócio não apenas na geração de vagas, mas na melhoria estrutural do emprego e da renda no país.

Fonte:

 

CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA (CEPEA); CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL (CNA). Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro: 3º trimestre de 2025. Piracicaba: CEPEA/ESALQ/USP; Brasília: CNA, 2025.

 

CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA (CEPEA). Mercado de Trabalho: agronegócio brasileiro atinge 28,58 mi de trabalhadores no 3º tri de 2025. Piracicaba: CEPEA/ESALQ/USP, 2025. Disponível em: <https://www.cepea.org.br/br/releases/mercado-de-trabalho-cepea-agronegocio-brasileiro-atinge-28-58-mi-de-trabalhadores-no-3-tri-de-2025.aspx>. Acesso em: 25 fev. 2026.
 

El Niño deve impor novos desafios ao hortifruti brasileiro em 2026 – 13/02/2026

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A revista Hortifruti Brasil, na edição de fevereiro, divulgou uma análise alertando que o ambiente produtivo da horticultura brasileira enfrentará um cenário climático mais desafiador em 2026. Diferentemente de 2025, que registrou alta produtividade graças ao bom regime de chuvas e temperaturas adequadas, este ano será marcado pela transição de um La Niña curto para um evento de El Niño mais persistente, exigindo dos produtores um nível elevado de planejamento técnico e gestão de custos.

 

De acordo com as projeções levantadas pelos pesquisadores, o ano será caracterizado por temperaturas médias mais altas e por mudanças no ciclo pluviométrico, especialmente a partir do inverno. No entanto, não haverá um impacto climático único sobre as frutas e hortaliças. O comportamento das variações meteorológicas afetará o país de forma heterogênea, com consequências que dependerão diretamente do tipo de cultura, da região afetada e do sistema produtivo adotado em cada fazenda.

Na prática, o calor intenso, principalmente, quando associado ao excesso de umidade, tende a acelerar o ciclo das plantas, intensificar o surgimento de problemas fitossanitários e comprometer a qualidade dos alimentos. Esse cenário já é visível em culturas como a alface em São Paulo e a batata, que vêm apresentando perda de qualidade, ou o tomate, que sofreu impactos na produção e registrou alta nas cotações. Em contrapartida, nas áreas onde há menor disponibilidade de água, o grande desafio será o custo e a viabilidade da irrigação, que se tornarão fatores centrais para garantir a safra.

 

Diante desse panorama de incertezas, o estudo ressalta que o aumento de produtividade não será sinônimo automático de melhores margens de lucro, uma vez que a maior oferta, a perda de qualidade e a pressão nos custos podem afetar a rentabilidade, como já foi observado ao longo de 2025. Para enfrentar os desafios de 2026, será fundamental que os produtores adotem medidas preventivas, como o monitoramento climático contínuo, o manejo técnico preciso, o escalonamento inteligente de plantios e uma rigorosa avaliação de riscos, protegendo não apenas o volume colhido, mas também a saúde financeira do negócio.
 

Fonte:

 

CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA (CEPEA). HF BRASIL/CEPEA: Clima em 2026 deve ser ainda mais desafiador aos HF's. Piracicaba: CEPEA/ESALQ/USP, 13 fev. 2026. Disponível em:  <https://www.cepea.org.br/br/releases/hf-brasil-cepea-clima-em-2026-deve-ser-ainda-mais-desafiador-aos-hf-s.aspx>. Acesso em: 26 fev. 2026.

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