ADECA NEWS - JUNHO/2026

Dinâmica climática contraria projeção de oferta recorde e sustenta preços do etanol no Brasil – 30/06/2026

Dinâmica climática contraria projeção de oferta recorde e sustenta preços do etanol no Brasil.png

 

O setor sucroenergético brasileiro enfrenta um cenário de comercialização paradoxal em 2026. Diferentemente do que dita a lógica de mercado, o período registra uma contínua sustentação de preços do etanol, mesmo diante de projeções históricas de disponibilidade.

 

Segundo a SCA Brasil, a safra atual deve registrar oferta recorde de etanol de cana-de-açúcar e milho, com novas plantas do cereal podendo acrescentar mais de 2 bilhões de litros à oferta nacional. Esse volume teórico deveria pressionar as cotações para baixo e estimular o consumo, ampliando a competitividade do biocombustível, cuja paridade em relação à gasolina já se aproxima de 60% nos principais polos. 

 

No entanto, conforme o Globo Rural (2026), o mercado reverteu a tendência: entre os dias 22 e 26 de junho, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado registrou a cotação de R$ 2,2618 o litro (valor sem frete, ICMS e PIS/Cofins), já para o anidro, o preço médio ficou em R$ 2,5509 o litro, acumulando altas semanais consecutivas. 

 

Além disso, a possível aprovação do aumento da mistura anidra (E32) promete injetar uma demanda adicional de 600 milhões a 1 bilhão de litros anuais. Esse movimento atípico impôs um alerta ao mercado consumidor de combustíveis e forçou as distribuidoras a adotarem uma postura de imensa cautela na formação de estoques, mesmo diante da farta produção projetada.

 

De acordo com os dados de comercialização, o atual ambiente de negócios revela um claro descolamento entre os principais derivados da cana. Enquanto as cotações do etanol sobem de forma consistente, o açúcar cristal branco segue operando com viés de queda e baixa liquidez, registrando recuos no acumulado do mês e oscilando na faixa de R$ 91,60 a R$ 92,69 a saca de 50 quilos. Essa divergência ocorre porque o enxugamento do mercado não se deu por uma quebra estrutural na capacidade macro do setor, mas sim por uma mudança de comportamento estratégico nas usinas. Para se protegerem das incertezas ou aproveitarem a firmeza do biocombustível, as unidades produtoras adotaram uma postura defensiva, segurando ativamente as vendas de seus estoques. Essa estratégia limitou o volume negociado e gerou uma aguda restrição de oferta no mercado spot, extinguindo a liquidez de unidades que antes operavam com descontos e impulsionando as cotações do etanol de forma generalizada.

 

Diante desse panorama de restrições pontuais, os balanços revelam que a causa raiz dessa inversão de fluxo comercial está atrelada às condições adversas causadas pelo clima chuvoso nas principais regiões produtoras do Centro-Sul brasileiro. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ilustram com precisão o impacto meteorológico: a produção na região sofreu um tombo expressivo de 25% na segunda quinzena de maio em relação ao ano anterior, limitando-se a 2,19 milhões de toneladas. Desse modo, o excesso de umidade no solo e as chuvas volumosas paralisaram o trânsito de máquinas e atrasaram severamente o avanço da colheita, derrubando o ritmo de moagem das indústrias. 

 

Assim, com as esteiras recebendo um fluxo intermitente e drasticamente reduzido de matéria-prima, a disponibilidade imediata de combustível despencou, forçando as usinas a reterem o produto para garantir o equilíbrio operacional, garantindo assim a valorização nas bombas como reflexo direto das chuvas no campo.

Fonte:

 

BELEDELI, Marcelo. Chuvas nas lavouras de cana elevam preços do etanol e do açúcar. Disponível em: <https://globorural.globo.com/agricultura/cana/noticia/2026/06/chuvas-nas-lavouras-de-cana-elevam-precos-do-etanol-e-do-acucar.ghtml>. Acesso em: 30 de junho 2026.

 

BELEDELI, Marcelo. Preços do etanol sobem novamente, enquanto açúcar segue em queda. Disponível em: <https://globorural.globo.com/agricultura/cana/noticia/2026/06/precos-do-etanol-sobem-novamente-enquanto-acucar-segue-em-queda.ghtml>. Acesso em: 30 de junho 2026.

 

CEPEA. ETANOL/CEPEA: Clima chuvoso restringe oferta e sustenta preços. Disponível em: <https://cepea.org.br/br/diarias-de-mercado/etanol-cepea-clima-chuvoso-restringe-oferta-e-sustenta-precos.aspx>. Acesso em: 30 de junho 2026.

 

GOTTEMS, Leonardo. Oferta recorde amplia espaço do etanol no mercado. Disponível em: <https://www.agrolink.com.br/culturas/milho/noticia/oferta-recorde-amplia-espaco-do-etanol-no-mercado_516152.html>. Acesso em: 30 de junho 2026.

Contraste Pecuário Brasileiro: Avanço nas Exportações e Desafios no Mercado Interno - 28/06/2026

 

O mercado de commodities pecuárias no Brasil vivenciou um cenário de fortes assimetrias ao longo de junho de 2026, ditado por comportamentos opostos entre as negociações domésticas e as demandas internacionais.

 

Essa dualidade reflete a complexidade do ciclo pecuário atual, onde a dinâmica de escoamento interno esbarra no poder de compra do consumidor brasileiro e na estratégia da indústria, enquanto o mercado global continua a absorver a proteína nacional a um ritmo bastante acelerado. As disparidades entre as praças de negociação ilustram um momento de ajuste e transição para o setor produtivo.

 

No ambiente doméstico, os produtores enfrentaram um período de retração nos preços e baixa liquidez nas negociações físicas. De acordo com os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Indicador Cepea/Esalq do boi gordo acumulou uma queda de 2,63% na parcial do mês, pressionando a arroba para a faixa de R$ 340,50.

 

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Esse movimento de baixa liquidez também se refletiu no atacado da Grande São Paulo, praça de referência para o consumo, onde a carcaça casada bovina registrou uma desvalorização acumulada de 1,37%, com a média fixada em R$ 24,43 por quilo. A título de comparação sobre a dinâmica das proteínas, a carne de frango congelada e resfriada apresentou um comportamento inverso, acumulando uma alta de 3,70% no mesmo período, o que evidencia uma substituição de consumo no mercado nacional em busca de opções mais acessíveis.

 

Em sentido diametralmente oposto ao cenário interno, o setor exportador de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada consolidou um desempenho histórico para o período. Os dados oficiais divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados até a terceira semana do mês, apontam que a receita média diária gerada pelos embarques atingiu US$ 87,208 milhões. Esse montante representa um avanço expressivo de 32,8% em comparação ao mesmo período de 2025, quando a média diária faturada pelas indústrias exportadoras era de US$ 65,665 milhões.


Esse faturamento robusto foi impulsionado tanto pela expansão física dos envios quanto pela valorização cambial e comercial da proteína no exterior. O volume médio diário exportado apresentou um crescimento de 10,9%, alcançando a marca de 13,362 mil toneladas enviadas aos portos diariamente. Associado a isso, o preço médio da tonelada comercializada no mercado internacional subiu 19,8%, atingindo o patamar de US$ 6.526,20. Contudo, analistas de mercado alertam para um fator limitante a curto prazo: o preenchimento acelerado da cota anual de importação da China, que já comprometeu entre 65% e 80% do limite tarifário preferencial, gerando um clima de maior cautela entre os frigoríficos para as escalas de abate do segundo semestre do ano.

 

Assim, a coexistência de uma valorização de 19,8% no preço internacional e uma retração de 2,63% na arroba física ilustra o descompasso atual da cadeia produtiva. Enquanto as plantas frigoríficas habilitadas para exportação conseguem diluir custos e ampliar margens escoradas na forte demanda global, o segmento que atende estritamente o mercado interno lida com margens estreitas e escoamento cadenciado. Por fim, a expectativa para os próximos meses recai sobre o ritmo de consumo interno na segunda metade do ano e a capacidade do mercado internacional de absorver a carne brasileira em volumes consistentes.

Fonte:

 

CANAL RURAL. Boi gordo acumula mais de 2% de queda em junho, aponta Cepea. Disponível em: <https://www.canalrural.com.br/pecuaria/boi-gordo-acumula-mais-de-2-de-queda-em-junho-aponta-cepea/> Acesso em: 28 de junho 2026.

 

NOTÍCIAS AGRÍCOLAS. Exportações de carne bovina elevam receita diária em 32,8% até a terceira semana de junho. Disponível em: <https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/carnes/423485-exportacoes-de-carne-bovina-elevam-receita-diaria-em-32-8-ate-a-terceira-semana-de-junho.html> Acesso em: 28 de junho 2026.

 

PORTAL DO AGRONEGÓCIO. Exportações de carne bovina do Brasil crescem 32,8% na receita diária em junho de 2026 com alta de preços e embarques. Disponível em: <https://www.portaldoagronegocio.com.br/pecuaria/bovinos-de-corte/noticias/exportacoes-de-carne-bovina-do-brasil-crescem-32-8-na-receita-diaria-em-junho-de-2026-com-alta-de-precos-e-embarques> Acesso em: 28 de junho 2026.

 

Entre conflitos e contratos: como a geopolítica global empurrou o óleo de soja para cima em 2026 - 17/06/2026

Entre conflitos e contratos como a geopolítica global empurrou o óleo de soja para cima em 2026.png

 

As tensões geopolíticas internacionais têm pressionado diretamente o mercado global de soja, com destaque para o óleo do grão, que já acumula alta de 11% em 2026. Segundo o Canal Rural, os conflitos envolvendo Rússia, Ucrânia, Irã, Estados Unidos e Israel funcionam como variáveis cada vez mais decisivas nas cotações agrícolas. A guerra entre russos e ucranianos, iniciada em fevereiro de 2022, somada às tensões recentes no Oriente Médio, tem elevado a demanda por energia e reduzido a oferta disponível, dois fatores que se combinam para puxar os preços para cima.


O especialista Giovani Ferreira reforça que a geopolítica deixou de ser um fator periférico e passou a integrar de forma estrutural as flutuações do mercado de commodities agrícolas. Até a primeira semana de junho de 2026, o Brasil já havia embarcado 62 milhões de toneladas de soja em grão, gerando receita cambial próxima de 26 bilhões de dólares. O preço médio da tonelada exportada ficou em 410 dólares, com variação modesta de apenas 2% frente ao ano anterior, sinal de que o impacto das tensões internacionais ainda é desigual entre os diferentes derivados da soja.

 

O farelo de soja, por sua vez, registrou avanço mais expressivo: 11 milhões de toneladas exportadas renderam 4 bilhões de dólares, com preço médio de 360 dólares por tonelada, alta de 7% em relação à média do ano passado. O destaque, porém, ficou com o óleo de soja, cada vez mais associado à produção de bioenergia e combustíveis. Com pouco menos de 1 milhão de toneladas exportadas e receita de 1,1 bilhão de dólares, o produto atingiu preço médio de 1.170 dólares por tonelada, avanço de 11% sobre o ano anterior, o maior entre os três segmentos analisados.


Apesar da valorização nas exportações, a reportagem do Canal Rural levanta uma dúvida central: até que ponto esses ganhos efetivamente chegam ao produtor rural. Com o dólar em alta e os custos de produção também subindo, muitos agricultores brasileiros seguem enfrentando margens apertadas, mesmo em um cenário de preços internacionais favoráveis. A expectativa do setor é de melhora na rentabilidade ao longo do ano, mas a combinação de instabilidade geopolítica e pressão de custos internos ainda gera incertezas sobre os reais beneficiários dessa valorização.

Fonte:

 

CANAL RURAL. Tensões geopolíticas elevam preço do óleo de soja em 11% em 2026. Disponível em: <https://www.canalrural.com.br/videos/tensoes-geopoliticas-elevam-preco-do-oleo-de-soja-em-11-em-2026/>. Acesso em: 30 de junho 2026.

Bahia Farm Show 2026 destaca tecnologia e pressão sobre o custo dos insumos no agronegócio -  29/06/2026

 

A Bahia Farm Show (BFS) chegou à sua 20ª edição entre os dias 8 e 13 de junho de 2026, em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste baiano, consolidando-se como a maior feira de tecnologia agrícola e negócios do Norte e Nordeste do país. Promovido pela Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), o evento ocupou um complexo ampliado para 38 hectares, 35% a mais de área em relação à edição anterior, e recebeu um público recorde de 172.328 visitantes, reunindo mais de 500 expositores.

 

A feira reuniu lançamentos voltados à automação e à coleta de dados em tempo real: equipamentos de pulverização aérea por drone com maior autonomia de voo, plataformas de inteligência artificial para leitura e manejo do solo, e tratores e colheitadeiras equipados com telemetria avançada para acompanhamento remoto da operação. A organização também investiu em tecnologia para o próprio funcionamento do evento, com aplicativo de mapeamento interativo em tempo real, frota elétrica para deslocamento interno e sistema de segurança com reconhecimento facial.

 

Bahia Farm Show 2026 destaca tecnologia e pressão sobre o custo dos insumos no agronegócio.png

No campo dos insumos, dirigentes do setor reforçaram que a competitividade do agronegócio baiano depende do acesso a defensivos agrícolas e produtos biológicos de última geração para o controle de pragas, apontados como parte central da proposta tecnológica da feira. O cenário, porém, segue desafiador: levantamento da consultoria StoneX, mencionado durante a cobertura do evento, indica que o custo dos principais fertilizantes ainda não voltou aos patamares anteriores ao conflito no Oriente Médio, com preços de 43% a 53% mais altos, o que tem exigido mais sacas de grãos para cobrir a mesma quantidade de insumo.

 

Durante o evento, o Governo Federal anunciou dois pacotes de crédito para o setor: R$ 14 bilhões destinados ao programa Move Agricultura, voltado à compra de máquinas e implementos agrícolas, e mais R$ 21,1 bilhões para a renovação de frotas de caminhões, medidas detalhadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A edição também registrou crescimento de 21% no número de expositores do pavilhão de agricultura familiar e movimentou R$ 3 milhões apenas no primeiro leilão oficial da feira.

Fonte:

 

Bavecom. Bahia Farm Show 2026: Recorde de Público, Crédito e Inovação no Agro. Disponível em: <https://bavecom.com.br/bahia-farm-show-2026-recorde-publico-inovacao-agro/> Acesso em: 29 jun. 2026.

 

Bahia Farm Show (Aiba). Edição 20 Anos. Disponível em: <https://bahiafarmshow.com.br/> Acesso em: 29 jun. 2026.

 

Aiba (Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia). Bahia Farm Show 2026 será ainda maior e mostra a força do agronegócio baiano. Disponível em: <https://aiba.org.br/bahia-farm-show-2026-sera-ainda-maior-e-mostra-a-forca-do-agronegocio-baiano/> Acesso em: 29 jun. 2026.

 

A Tarde. Aos 20 anos, Bahia Farm Show reflete a força e os desafios do agro no Brasil. Disponível em: <https://atarde.com.br/agro/aos-20-anos-bahia-farm-show-reflete-a-forca-e-os-desafios-do-agro-no-brasil-1390930> Acesso em: 29 jun. 2026.

 

Rural TecTV. Bahia Farm Show 2026 com destaque para os pequenos produtores. Disponível em: <https://www.ruraltectv.com.br/bahia-farm-show-2026-com-destaque-para-os-pequenos-produtores/> Acesso em: 29 jun. 2026.

 

Expansão da Ocupação de Trabalhadoras Mulheres no Agronegócio Brasileiro e o Paradoxo da Renda -  29/06/2026

Expansão da Ocupação de Trabalhadoras Mulheres no Agronegócio Brasileiro e o Paradoxo da Renda.png

 

As mulheres estão cada vez mais presentes no agronegócio brasileiro. Um estudo da Fundação IDH mostra que elas já administram cerca de 30 milhões de hectares de terras rurais no país, o equivalente a 8,5% da área rural brasileira, representando um cenário de crescimento importante da participação feminina no agronegócio brasileiro.

 

Atualmente, aproximadamente 947 mil propriedades são gerenciadas por mulheres. Ademais, segundo o boletim de 2025 do Mercado de Trabalho no Agronegócio, publicado pelo CEPEA, “a análise por gênero indica expansão da ocupação para ambos os grupos, com aumento de 1,9% no número de trabalhadores homens (ou 323.761 pessoas) e de 2,6% no contingente de trabalhadoras mulheres (ou 278.046 pessoas), sugerindo avanço, ainda que gradual, da participação feminina no mercado de trabalho do agronegócio”.

 

Apesar desse avanço, os números também revelam desafios. Cerca de 77,8% das propriedades sob gestão feminina possuem até 20 hectares, e apenas 17% das produtoras recebem mais de três salários mínimos.

 

Os dados indicam que muitas mulheres ainda estão concentradas em pequenas propriedades e enfrentam dificuldades para alcançar maior renda no campo. O levantamento da Fundação IDH aponta que as produtoras rurais têm menos acesso ao crédito e ainda enfrentam dificuldades para ocupar cargos de liderança e espaços de decisão no setor.

 

A participação feminina é mais expressiva em algumas atividades, como a pecuária e aquelas ligadas à agricultura familiar, além de demonstrar uma mudança importante no perfil do agronegócio brasileiro, crescendo em funções de gestão, adoção de tecnologias e tomada de decisões nas propriedades. Especialistas apontam que o protagonismo das mulheres tem contribuído para tornar o agro mais diversificado e inovador. 

 

O cenário mostra que o agro está se tornando mais diverso, mas ainda enfrenta desafios para garantir igualdade de oportunidades. Diante desse contexto, há a evidência de um paradoxo: enquanto as mulheres ocupam cada vez mais espaço e administram milhões de hectares no Brasil, a desigualdade de renda e de acesso a oportunidades ainda limita o desenvolvimento de muitas produtoras rurais. Nesse sentido, a ampliação do acesso das mulheres ao financiamento, à capacitação e às posições de liderança é um passo importante para fortalecer o desenvolvimento do setor.

Fonte:

 

AGÊNCIA BRASIL. Mulheres comandam produção em duas em cada dez propriedades rurais. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/mulheres-comandam-producao-em-duas-em-cada-dez-propriedades-rurais?utm_source=chatgpt.com>. Acesso em: 30 de junho de 2026.

 

CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA (CEPEA); CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL (CNA). Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro: acompanhamento trimestral - 4º trimestre de 2025. Disponível em: <https://www.cepea.org.br/upload/kceditor/files/dtec.mt_agronegocio_boletim_4tri2025.23abr2026.v2.diagramado.pdf>. Acesso em: 30 de junho de 2026.

 

FORBES AGRO. Mulheres gerenciam 30 milhões de hectares no Brasil, mas seguem com renda menor no agro. Disponível em: <https://forbes.com.br/forbes-agro/2026/06/mulheres-gerenciam-30-milhoes-de-hectares-no-brasil-mas-seguem-com-renda-menor-no-agro/?utm_source=chatgpt.com>. Acesso em: 30 de junho de 2026.

Mercado de carbono brasileiro avança em junho com inclusão do agronegócio no cronograma regulatório  -  28/06/2026

 

O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) ganhou contornos mais claros para o setor agropecuário ao longo de junho de 2026, em meio ao processo de regulamentação conduzido pela Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono (Semc), vinculada ao Ministério da Fazenda.

 

Criado pela Lei nº 15.042/2024, o SBCE estabelece um modelo de teto e comércio de emissões, no qual empresas que poluem menos podem vender créditos excedentes a companhias que ultrapassam seus limites, e a discussão sobre quais setores entrarão nesse sistema avançou de forma decisiva nas últimas semanas.

 

Em proposta apresentada ao Comitê Técnico Consultivo Permanente do SBCE, o Ministério da Fazenda incluiu segmentos ligados ao agronegócio na obrigação de monitoramento e relato de emissões de gases de efeito estufa, entre eles os setores de papel e celulose, alimentos e bebidas e transporte rodoviário, este último responsável pelo escoamento da produção agropecuária pelo país.

 

Mercado de carbono brasileiro avança em junho com inclusão do agronegócio no cronograma regulatório.png

Pela proposta, o setor de papel e celulose deve ser o primeiro do grupo a entrar no sistema, já a partir de 2027. A regra de monitoramento, relato e verificação (MRV) prevista pela legislação determina que empresas com emissões acima de 10 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano precisarão reportar seus dados, enquanto as que ultrapassarem 25 mil toneladas anuais poderão futuramente ficar sujeitas a metas e limites de emissão.

 

A inclusão de elos da cadeia agroindustrial no cronograma do mercado regulado ocorre num momento em que a agenda ambiental deixa de ser tratada como tema periférico pelo setor produtivo. Instituições financeiras, programas de crédito rural e compradores internacionais têm caminhado para exigir, de forma cada vez mais objetiva, comprovação de regularidade ambiental e adoção de práticas de baixa emissão como condição para acesso a financiamento e a mercados externos. Para especialistas da Embrapa, no entanto, o crédito de carbono não deve ser encarado pelo produtor como uma nova fonte de renda independente, mas como um reflexo de práticas agropecuárias já orientadas à sustentabilidade, já que o setor figura entre os poucos capazes de sequestrar carbono da atmosfera por meio do manejo do solo.


O calendário oficial do SBCE prevê que a fase de relato de emissões comece em 2027, com a plena entrada em operação do sistema, incluindo o estabelecimento de tetos setoriais, projetada para 2030. Até dezembro de 2026, a Semc pretende concluir a publicação das normas infralegais que vão operacionalizar o mercado, etapa considerada decisiva para dar segurança jurídica ao setor produtivo e definir, na prática, o valor do carbono brasileiro.

Fonte:

 

CNN BRASIL. Fazenda inclui agroindústrias em cronograma do mercado regulado de carbono. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/agro/fazenda-inclui-agro-em-cronograma-do-mercado-regulado-de-carbono/>. Acesso em: 28 de junho 2026.

 

CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL (CNA). Apesar de bilionário, mercado de carbono exige "paciência" no Brasil. Disponível em: <https://www.cnabrasil.org.br/noticias/apesar-de-bilionario-mercado-de-carbono-exige-paciencia-no-brasil>. Acesso em: 28 de junho 2026.

 

MINISTÉRIO DA FAZENDA. Brasil inicia a construção do sistema que viabilizará o mercado regulado de carbono. Disponível em: <https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/janeiro/brasil-inicia-a-construcao-do-sistema-que-viabilizara-o-mercado-regulado-de-carbono>. Acesso em: 28 de junho 2026.

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