ADECA NEWS - MAIO/2026

Soja em Destaque: Safra Recorde no Brasil, Pressão de Preços e Olho na Argentina -  14/05/2026

O mercado de soja atravessa um período marcado por recordes produtivos e exportadores, mas também por pressão crescente sobre as cotações. Deste modo, o cenário combina uma safra brasileira histórica, colheita avançando na Argentina e um quadro de ampla oferta global que tende a manter os prêmios de exportação enfraquecidos nas próximas semanas.

 

A safra de soja do Brasil 2025/26 foi estimada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) em recorde de 180 milhões de toneladas, um aumento de 2 milhões de toneladas ante a projeção anterior, sendo a maior colheita da história do país, superando em 8,5 milhões de toneladas a temporada anterior. No campo, o avanço é expressivo. A colheita da safra 2025/26 atingiu 94,7% da área semeada, com conclusão registrada em estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, os maiores produtores nacionais. 

Além disso, o volume exportado acompanha a produção excepcional. Segundo relatório do Itaú BBA, em abril, o Brasil registrou o maior embarque mensal de soja da história: 16,1 milhões de toneladas saíram dos portos brasileiros, reforçando a posição do país como principal exportador global da oleaginosa. 

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No acumulado do primeiro quadrimestre, os embarques somaram 43,2 milhões de toneladas, acima das 40,1 milhões registradas no mesmo período de 2025.A China segue como principal destino da soja brasileira, respondendo por aproximadamente 75% das importações do grão no primeiro trimestre de 2026, tendo comprado US$ 11,33 bilhões do Brasil entre janeiro e março, alta de 4,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

 

Em paralelo, o principal vetor de atenção do mercado para as próximas semanas é o avanço da colheita na Argentina. Conforme destaca o Itaú BBA, o avanço argentino, que segue atrasado em função das chuvas, deve ampliar de forma relevante a oferta global de farelo, pressionando os prêmios e intensificando a concorrência com o produto brasileiro no mercado internacional.

O mercado em Chicago já aponta preços descontados para os meses à frente (curva invertida), sinalizando a percepção de oferta confortável de óleo ao longo dos próximos meses. Do lado da nova safra americana, o panorama é positivo. Segundo o Itaú BBA, o plantio de soja nos EUA alcançou 33% da área prevista, acima dos 28% registrados no mesmo período de 2025 e bem acima da média das últimas cinco safras, de 23%, indicando ritmo significativamente mais acelerado. As condições climáticas seguem favoráveis, sem preocupações relevantes com precipitações ou umidade do solo.

 

Para 2026/27, a expectativa do Itaú BBA é de manutenção da boa oferta global de grãos, com EUA, Brasil e Argentina podendo caminhar para mais um ano de grande disponibilidade de soja e derivados, cenário que deve limitar as recuperações expressivas de preços no horizonte à frente. E, apesar dos recordes em volume, a rentabilidade do produtor segue sob pressão. A margem operacional estimada para 2025/26 é de R$ 1.946/ha (31%), contra R$ 3.080/ha (44%) na safra anterior, reflexo da combinação entre câmbio mais valorizado, custos elevados de produção e preços internacionais contidos.

Fonte:

 

AGRISHOW. Safra de soja 2025/26 deve bater recorde no Brasil, mas margens encolhem. Disponível em: <https://digital.agrishow.com.br/culturas/soja/safra-de-soja-2025-26-deve-bater-recorde-no-brasil-mas-margens-encolhem/>. Acesso em: 13 maio 2026.

 

BIODIESELBR. Novo recorde: USDA diz que soja 2025/26 do Brasil será de 180 milhões de toneladas. Disponível em: <https://www.biodieselbr.com/noticias/materia-prima/soja1/novo-recorde-usda-diz-que-soja-2025-26-do-brasil-sera-de-180-milhoes-de-toneladas-110226/amp>. Acesso em: 13 maio 2026.

 

BPMONEY. Soja bate recorde e agronegócio acumula US$ 54 bilhões em exportações no ano. Disponível em: <https://bpmoney.com.br/agro/soja-bate-recorde-e-agronegocio-acumula-us-54-bilhoes-em-exportacoes-no-ano/>. Acesso em: 13 maio 2026.

 

CNN BRASIL. Embarques de soja em maio devem ultrapassar 14 milhões de t, diz Anec. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/agro/embarques-de-soja-em-maio-devem-ultrapassar-14-milhoes-de-t-diz-anec/>. Acesso em: 13 maio 2026.

 

ITAÚ BBA. Agro Mensal – Maio 2026: Farelo e Óleo; Soja. São Paulo: Itaú BBA, 2026.

 

PORTAL DO AGRONEGÓCIO. Exportações brasileiras de grãos ganham ritmo em 2026, com recorde na soja e avanço logístico global. Disponível em: <https://www.portaldoagronegocio.com.br/agricultura/soja/noticias/exportacoes-brasileiras-de-graos-ganham-ritmo-em-2026-com-recorde-na-soja-e-avanco-logistico-global>. Acesso em: 13 maio 2026.


TRADING ECONOMICS. Soja: cotação e preço – 1977-2026. Disponível em: <https://pt.tradingeconomics.com/commodity/soybeans>. Acesso em: 13 maio 2026.

Esgotamento da cota chinesa ameaça margens dos frigoríficos brasileiros -  25/05/2026

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O setor frigorífico brasileiro se prepara para um período turbulento no segundo semestre de 2026. A cota de importação imposta pela China, fixada em 1,1 milhão de toneladas com tarifa preferencial de 12%, deve ser completamente preenchida até julho. A partir daí, qualquer exportação adicional será taxada com um imposto extra de 55%, tornando as vendas ao mercado chinês praticamente inviáveis (GLOBO RURAL, 2026).

 

A expectativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) é que os embarques à China sejam interrompidos entre julho e outubro, em função da previsão de preenchimento total da cota com as cargas enviadas até o fim de junho.

 

O impacto não será pequeno. A China é o principal destino da carne bovina brasileira, e a ausência temporária do comprador asiático deve comprimir a rentabilidade do setor ao longo do ano. O desafio se soma a outros fatores desfavoráveis: queda do dólar, alta na cotação da arroba do boi e custos elevados já pressionam as margens dos frigoríficos.
 

A estratégia da Frigol passa por diversificação: a China, que chegou a responder por 70% das vendas da empresa, caiu para 42% em 2025. Para 2026, a companhia aposta no fortalecimento do mercado interno e na ampliação de envios para outros destinos. A visão é compartilhada por outros líderes do setor. Marcos Alexandre Domingues, presidente da Iguatemi Foods, descreveu o período como um momento de “chuvas e trovoadas”, mas avaliou que o setor está estabilizado e preparado para o desafio.

 

Fabrizzio Capuci, diretor-executivo da Naturafrig, empresa com plantas em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, projeta um período de ajuste de 30 a 40 dias após o preenchimento da cota. Já Flávio Silva, gerente de exportação da Masterboi, empresa com plantas no Pará, Maranhão, Tocantins e Pernambuco, afirmou que não há perspectiva de interromper a produção, e que a empresa buscará todas as frentes para distribuir volumes e aumentar vendas em canais alternativos.

 

O mercado interno deve ser o principal destino para absorver parte da carne que seria exportada, mas sem a mesma rentabilidade. Como os cortes consumidos pelos brasileiros diferem dos exportados à China, espera-se alta no preço dos produtos voltados ao churrasco, movimento reforçado pela Copa do Mundo e pela maior circulação de dinheiro na economia às vésperas das eleições. Roberto Perosa, presidente da Abiec, avaliou que, com a eleição, deve crescer o consumo interno, o que traz certa segurança ao setor. Ainda assim, ele prevê redução na produção e manutenção dos preços elevados da carne no Brasil. 

 

Para Pedro Emílio Franco Prado, CEO da Plena Alimentos, o cenário apenas resgata uma realidade histórica do setor. Segundo ele, o frigorífico sempre operou com margens apertadas, exigindo caixa forte e pouco endividamento. A expectativa é de um ano inteiro com margens baixas, sem perspectiva de reversão significativa.

 

A avaliação geral do setor aponta para resiliência com cautela. Capuci, da Naturafrig, projeta um ano ainda positivo para a cadeia da carne bovina em comparação com outros segmentos do agronegócio, que sofreram com endividamento, problemas climáticos e custos elevados. O segundo semestre, porém, exigirá habilidade para navegar em águas incertas.

Fonte:

 

GLOBO RURAL. Fim da cota chinesa apertará ainda mais as margens de frigoríficos. Globo Rural, Rio de Janeiro, 25 maio 2026. Disponível em: <https://globorural.globo.com/negocios/noticia/2026/05/fim-da-cota-chinesa-apertara-ainda-mais-as-margens-de-frigorificos.ghtml>. Acesso em: 25 maio 2026.


SAMORA, Roberto. Frigoríficos podem cortar produção após China impor cotas. Bloomberg, [s.l.], 12 jan. 2026. Disponível em: <https://www.bloomberg.com/news/articles/2026-01-12/frigorificos-podem-cortar-producao-apos-china-impor-cotas>. Acesso em: 25 maio 2026.

A Mesa Bilateral Brasil-China e a Corrida Tecnológica - 23/05/2026

 

A China Railway Construction Heavy Industry Corporation (CRCHI), fabricante fundada em 2007 e tradicionalmente focada no desenvolvimento de sistemas de trânsito ferroviário e engenharia subterrânea, projeta agora uma expansão robusta no agronegócio brasileiro. A empresa, que ingressou no setor de maquinário agrícola há cerca de seis anos, esteve presente na última edição da feira Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), com o objetivo de apresentar a marca e buscar seu espaço de atuação no mercado nacional.

 

De acordo com Shuai Li, diretor de marketing da fabricante, o Brasil é, neste momento, a prioridade absoluta para as operações da CRCHI. Para competir em um setor expressivo e dominado por gigantes multinacionais como John Deere, AGCO e CNH Industrial, além das referências nacionais Jacto e Stara, a estratégia asiática foca-se na consolidação de uma presença física de suporte. O planejamento central envolve a construção de uma sólida rede de pós-venda e a instalação de uma área exclusiva para o fornecimento de peças de reposição no país.

 

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Os desdobramentos econômicos derivados dessa harmonização regulatória internacional são quantificáveis e apresentam alto impacto para a rentabilidade do produtor nacional. Estudos de modelagem macroeconômica desenvolvidos por consultorias do setor indicam que a sincronização dos marcos legais de biossegurança e de novas tecnologias de cultivo entre Brasília e Pequim possui o potencial latente de injetar um incremento financeiro direto de até US$ 1,5 bilhão por ano nas exportações brasileiras de grãos, impulsionando significativamente a competitividade do ecossistema de bioprodutos e a eficiência logística no cenário global. 

 

Sob a ótica geoestratégica de longo prazo, o alinhamento de protocolos busca mitigar a extrema volatilidade mercadológica decorrente de barreiras sanitárias, fitossanitárias e químicas impostas unilateralmente por outros blocos econômicos concorrentes. A estratégia desenhada de forma conjunta por lideranças institucionais e do setor agroindustrial nacional foca na introdução ágil de bioinsumos inovadores e no aprimoramento contínuo do germoplasma vegetal adaptado. Esse posicionamento técnico permite que o agronegócio brasileiro responda com máxima rapidez e previsibilidade às metas de autossuficiência parcial e de diversificação de portfólio demandadas pelo governo chinês, blindando o setor produtivo contra pressões comerciais externas.

Fonte:

 

BRASILAGRO. China: Ajustar regras sobre biotecnologia pode render US$ 1,5 bi por ano. 23 de maio de 2026. Disponível em: <https://www.brasilagro.com.br/conteudo/china-ajustar-regras-sobre-biotecnologia-pode-render-us-15-bi-por-ano.html>.

 

FORBES. Mira China, Bioinsumos e Regulação para Reposicionar o Agro Brasileiro no Mundo. 23 de maio de 2026. Disponível em: <https://forbes.com.br/forbes-agro/2026/05/ana-repezza-mira-china-bioinsumos-e-regulacao-para-reposicionar-o-agro-brasileiro-no-mundo/>.

 

FORBES. O Brasil na mesa da China: US$ 55 bi em jogo no maior negócio do agronegócio mundial. 23 de maio de 2026. Disponível em: <https://forbes.com.br/forbes-agro/2026/05/o-brasil-na-mesa-da-china-us-55-bi-em-jogo-no-maior-negocio-do-agronegocio-mundial/>.

 

PORTAL GOV.BR. Ministro André de Paula encerra missão à China com avanços no diálogo agropecuário e cooperação bilateral. 23 de maio de 2026. Disponível em: <https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/ministro-andre-de-paula-encerra-missao-a-china-com-avancos-no-dialogo-agropecuario-e-cooperacao-bilateral>.

Inovação no Campo: Tecnologia Fotônica e Inteligência Artificial Transformam a Análise de Solo  - 26/05/2026

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Uma nova parceria desenvolvida junto à Embrapa está revolucionando o agronegócio sustentável ao levar a tecnologia fotônica diretamente para as propriedades rurais. Utilizando o sistema LIBS, que, segundo o portal de notícias Canal Rural, é a mesma inovação empregada pela NASA em suas missões de exploração em Marte, o método permite uma análise rápida e em tempo real de dezenas de parâmetros do solo. Com isso, os produtores conseguem diminuir drasticamente a dependência de processos químicos tradicionais, ganhando agilidade e precisão no diagnóstico de suas terras, um passo fundamental para o avanço da agricultura de baixo carbono.


Além de modernizar a leitura física da terra, o sistema apoiado pela Embrapa incorpora o uso de inteligência artificial (IA) para fornecer recomendações agronômicas personalizadas para cada área produtiva. Conforme os dados apresentados, os fertilizantes e corretivos chegam a representar entre 35% e 40% dos custos totais de uma lavoura. Baseando-se nesses índices, a nova tecnologia atua diretamente no alívio dessa carga financeira do produtor. Por meio de relatórios gerados pela IA, a ferramenta busca reduzir o desperdício, otimizar a aplicação de insumos e garantir um manejo muito mais eficiente.

No que diz respeito ao viés ambiental e financeiro, as métricas levantadas pela inovação mostram-se estratégicas para impulsionar práticas regenerativas. A tecnologia é capaz de medir diretamente os níveis de carbono estocados no solo, gerando dados confiáveis que habilitam o agricultor a participar do mercado voluntário de créditos de carbono. Dessa forma, a proposta central da pesquisa é inserir o produtor de vez na sustentabilidade, unindo a preservação ambiental a uma nova fonte de rentabilidade comprovada pelo sequestro de gases do efeito estufa.

Fonte:

 

CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA (CEPEA). PIB da cadeia de soja e biodiesel. Piracicaba: Cepea/Esalq/USP.  07 de maio de 2026. Disponível em: <https://cepea.org.br/br/pib-da-cadeia-de-soja-e-biodiesel.aspx>. Acesso em: 25 maio 2026.

Perspectivas do Mercado de Trabalho na Cadeia da Soja e do Biodiesel - 07/05/2026

 

O mercado de trabalho da cadeia da soja e do biodiesel apresentou crescimento mais acelerado do que o agregado do agronegócio em 2025, ampliando sua participação no total de pessoas ocupadas (PO) do setor. Nesse contexto, a cadeia produtiva retomou relevância tanto no agronegócio quanto na economia brasileira, representando 10,21% da PO do agronegócio e 2,34% da economia nacional.

 

O número estimado de pessoas ocupadas aumentou 5,52% entre 2024 e 2025, alcançando um total de 2,39 milhões de trabalhadores em toda a cadeia produtiva. O avanço foi impulsionado pelos segmentos de insumos, produção primária, agroindústria da soja e biodiesel e agrosserviços.

 

Diante desse contexto, menciona-se que do total de pessoas ocupadas em toda a cadeia produtiva, 146 mil estão no segmento de insumos, que apresentou uma taxa anual de crescimento de 5,8% entre 2012 e 2025. Segundo o CEPEA, o aumento da PO neste segmento é dado pela expansão de área e pelos investimentos para a produção de soja no país.

 

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Já o segmento primário - produção da soja - vem apresentando redução no número de pessoas ocupadas nos últimos anos. Ainda assim, entre 2012 e 2025, a PO cresceu em média 5,6% ao ano, representando 18,2% do total da cadeia em 2025. Ressalta-se que, por se tratar de uma atividade altamente mecanizada e pouco intensiva em mão de obra, a relação entre produção e geração de empregos, neste segmento, é limitada. Assim, mesmo em cenários de safra recorde, pode haver redução do emprego.


Os estados tradicionalmente mais relevantes na produção de soja, como Rio Grande do Sul e Paraná, concentraram as maiores reduções no emprego. Enquanto regiões consolidadas reduzem a demanda por mão de obra devido ao avanço tecnológico, novas áreas de expansão incorporam trabalhadores, ainda que em menor intensidade. Esse cenário evidencia a predominância do efeito tecnológico sobre o efeito expansão.

 

Por outro lado, a agroindústria da soja e do biodiesel apresentou crescimento médio anual de 3,2% no número de pessoas ocupadas entre 2012 e 2025, acompanhando a expansão do processamento da soja e o avanço da produção de biodiesel no país. Esse movimento reforça a tendência de crescimento de longo prazo do segmento agroindustrial, alinhada às perspectivas apresentadas por André Nassar, da ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), durante a III Mesa Redonda promovida pelo grupo PACES (Projetando Agricultura Compromissada em Sustentabilidade) - evento acompanhado pelo Adeca Agronegócios a convite dos organizadores neste último sábado, 23 de maio. Saiba mais acessando nosso LinkedIn.

 

Em suma, o principal destaque deste informativo é que a indústria brasileira da soja e do biodiesel apresenta potencial para ampliar ainda mais sua participação no número de pessoas ocupadas ao longo da cadeia produtiva, impulsionada pelo avanço do processamento, pela expansão da produção e pelas perspectivas positivas para o segmento agroindustrial no país devido à expansão do uso de biocombustíveis no cenário global.

Fonte:

 

CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA (CEPEA). PIB da cadeia de soja e biodiesel. Piracicaba: Cepea/Esalq/USP.  07 de maio de 2026. Disponível em: <https://cepea.org.br/br/pib-da-cadeia-de-soja-e-biodiesel.aspx>. Acesso em: 25 maio 2026.

 

Consolidação Tecnológica dos Bioinsumos Esbarra na Lentidão Institucional de Brasília  - 13/05/2026

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O mercado nacional de biodefensivos segue em ritmo acelerado de expansão e consolida o protagonismo do Brasil na transição para uma agricultura de baixo carbono, tendo movimentado expressivos R$ 6,2 bilhões e alcançado a marca de 194 milhões de hectares cobertos. Projeções globais da consultoria DunhamTrimmer indicam um crescimento de 10% para o setor até 2030, enquanto analistas da Embrapa preveem que o controle biológico poderá abocanhar até metade de todo o mercado brasileiro de proteção de cultivos até o ano de 2050. 


Contudo, esse expressivo salto operacional e tecnológico esbarra na lentidão institucional e na burocracia do Estado. Durante o BioSummit 2026, a Associação Brasileira das Indústrias de Bioinsumos (Abinbio) alertou formalmente que a falta de regulamentação infralegal da nova legislação específica do setor já prejudica severamente a rotina de novos registros, atrasa homologações e gera insegurança jurídica na fiscalização e nas rotinas produtivas das indústrias no país.

 

Porém, mesmo diante das incertezas jurídicas e do compasso de espera em Brasília, o dinamismo do setor privado e a inovação em biotecnologia continuam fortes nas lavouras paulistas, impulsionando a eficiência no manejo de pragas de alto impacto econômico. Em Mineiros do Tietê (SP), experimentos práticos conduzidos em áreas comerciais de cana-de-açúcar comprovaram a alta eficácia do uso do fungo Beauveria bassiana associado a iscas artificiais sólidas para conter o avanço e os danos do bicudo-da-cana (Sphenophorus levis). 
A pesquisa demonstrou que as avaliações realizadas até 60 dias após o início da distribuição quinzenal das iscas apresentaram respostas operacionais altamente positivas, consolidando o método como uma alternativa viável, sustentável e economicamente eficiente para o manejo integrado de pragas na região do ecossistema canavieiro do estado.


Já na outra ponta da cadeia produtiva, o aspecto socioeconômico e a democratização do acesso a essas tecnologias ganharam fôlego com o anúncio de um importante aporte de R$ 40 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O programa, que aceita propostas de cooperativas e associações da agricultura familiar até o dia 31 de agosto, oferece recursos não reembolsáveis voltados especificamente à implementação de estruturas para a produção própria de bioinsumos (on-farm). 


Essa iniciativa visa reduzir de forma drástica os custos operacionais dos pequenos produtores, mitigar a dependência de insumos químicos tradicionais de matriz importada e fortalecer a autonomia produtiva e sustentável das comunidades agrícolas integradas, somando-se aos mais de R$2,4 bilhões que o banco já mobilizou para sistemas alimentares sustentáveis desde 2023.


Dessa forma, a conjuntura observada ao longo de maio deixa evidente que, embora o Brasil possua uma vantagem comparativa natural imbatível, tecnologia de ponta e forte engajamento de produtores de todas as escalas, o futuro de longo prazo do setor depende diretamente da agilidade do governo. O estabelecimento de um marco legal previsível, ágil e seguro é o principal fator pendente para destravar investimentos internacionais massivos e consolidar em definitivo a liderança global do agronegócio brasileiro na bioeconomia.

Fonte:

 

AGRIBRASILIS. Bioinsumos crescem no Brasil, mas setor cobra regulamentação. 13 de Maio de 2026. Disponível em: <https://agribrasilis.com/2026/05/13/bioinsumos-regulamentacao/>.

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