Perspectivas otimistas marcam o início da safra agrícola 2025/26 em São Paulo, principalmente, em relação à produção de grãos e café. De acordo com o levantamento divulgado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, com dados consolidados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), o estado registrará um crescimento significativo nessas culturas, impulsionado pelo aumento de área plantada e ganhos expressivos de produtividade. Em contrapartida, as culturas voltadas à indústria, como a laranja e a cana-de-açúcar, registraram retração em área e no volume de produção.
Segundo os dados levantados, o milho de primeira safra lidera o avanço paulista, com uma projeção de colheita de 2,01 milhões de toneladas, o que representa uma expressiva alta de 38% frente ao ciclo anterior. Esse salto é resultado da expansão de 23,1% na área cultivada e de um incremento de 12,2% na produtividade média. A soja, por sua vez, também apresenta desempenho bastante positivo, com estimativa de 4,57 milhões de toneladas (crescimento de 11%) e produtividade recorde, concentrada sobretudo nas regiões de Itapeva, Assis e Ourinhos, que respondem por quase 40% da safra do estado.
Já, no setor cafeeiro, a projeção aponta para uma colheita de 4,7 milhões de sacas de 60 kg; apesar da leve redução de 0,9% na área cultivada, o avanço de 5,7% no rendimento garantirá a estabilidade de polos produtores como Franca e São João da Boa Vista.
Apesar dos bons resultados nos grãos e no café, a consolidação dos números da safra 2024/25 evidencia um cenário bem mais desafiador para as demais culturas de peso. A citricultura paulista registrou uma queda de 9,5% em sua área cultivada, limitando a produção a 268,7 milhões de caixas de laranja. Este recuo reflete diretamente os severos impactos do greening, a principal doença que afeta a cadeia produtiva no mundo, somados às variações climáticas adversas. A cana-de-açúcar também sofreu retração, entregando uma colheita de 390,9 milhões de toneladas, o que significa um recuo de 4,6% em relação à safra anterior, acompanhado por uma diminuição de 4,8% na área total de plantio, de 5,5 milhões de hectares.
Diante dessas diferentes realidades produtivas, o panorama agrícola paulista demonstra uma forte heterogeneidade em seu desenvolvimento. O levantamento, que considerou avaliações técnicas em 645 municípios entre novembro e dezembro de 2025, indica que o sucesso das safras futuras dependerá cada vez mais de um manejo eficiente. Enquanto produtores de grãos comemoram o aumento da capacidade produtiva, os agricultores das cadeias de cana e laranja precisarão focar no rigoroso controle fitossanitário e na mitigação de riscos climáticos para reverter a atual perda de espaço produtivo
Fonte:
LENNON, Seane. Soja, milho e café puxam safra paulista 2025/26. Agrolink, 23 mar. 2026. Disponível em:<https://www.agrolink.com.br/culturas/cafe/noticia/soja--milho-e-cafe-puxam-safra-paulista-2025-26_512306.html>. Acesso em: 31 mar. 2026.
O Grupo de Melhoramento Animal e Biotecnologia (Gmab) da Universidade de São Paulo (USP) anunciou a criação do Programa de Genética e Melhoramento Animal (GMA), uma iniciativa voltada ao fortalecimento da pecuária de corte no Brasil. Desenvolvida pelo Gmab e por pesquisadores geneticistas da USP-Pirassununga, a iniciativa tem o suporte científico da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) e apoio técnico da empresa especializada em dados CTAG NextGen. O foco central do projeto é customizar a seleção, valorizar a matriz bovina e profissionalizar a gestão da cadeia da carne por meio de uma estrutura orientada à inovação.
A estruturação do programa iniciou sua fase prática em 10 de dezembro de 2025, com a primeira reunião de trabalho realizada no Sindicato Rural de Uberlândia (MG). A força da nova iniciativa já se reflete em sua expressiva aceitação no mercado: o GMA teve uma adesão inicial de 50 fazendas brasileiras, concentradas principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, além de 20 propriedades internacionais distribuídas por Venezuela, Paraguai, Bolívia, Honduras, Guatemala e México. O lançamento oficial e a apresentação das primeiras avaliações genéticas ocorrerão no dia 25 de março de 2026, durante a feira de agronegócios Femec.
Na prática, a iniciativa executará avaliações genéticas e genômicas integradas, direcionadas a características que possuem alto impacto nos rebanhos bovinos. Entre os parâmetros analisados pelos pesquisadores estão o crescimento, a capacidade materna, a longevidade, a precocidade sexual, a qualidade da carcaça e a eficiência alimentar. O programa também prevê o desenvolvimento de índices bioeconômicos ajustados à realidade de cada propriedade, englobando animais registrados e comerciais, além da criação de um índice bioeconômico focado integralmente no retorno global do sistema de produção.
Sob a coordenação dos professores José Bento Sterman Ferraz (Presidente) e Fernando Baldi (Vice-Presidente), o GMA busca atender à alta demanda dos criadores por respaldo técnico confiável. Segundo Baldi, o projeto representa uma retomada histórica das bases do melhoramento genético no Brasil, resgatando a identidade acadêmica da USP e aliando a tradição científica à agilidade exigida pelo setor. A missão central da iniciativa, portanto, é profissionalizar a gestão de toda a cadeia da carne através de uma estrutura dinâmica e orientada à inovação, entregando soluções baseadas em décadas de experiência para elevar a produtividade e assegurar a viabilidade econômica do negócio nos trópicos
Fonte:
RODRIGUES, Carolina. USP cria novo programa de melhoramento genético para pecuária de corte. Portal DBO, São Paulo, 19 mar. 2026. Disponível em:<https://portaldbo.com.br/revistadbo/usp-cria-novo-programa-de-melhoramento-genetico-para-pecuaria-de-corte/#:~:text=O%20GMA%20(Genética%20e%20Melhoramento,ganhos%20produtivos%20nas%20próximas%20gerações.>. Acesso em: 31 mar. 2026.
SILVA, Eliane. USP lança programa de genética e melhoramento animal para gado de corte. Globo Rural, Ribeirão Preto (SP), 1 mar. 2026. Disponível em:<https://globorural.globo.com/pecuaria/boi/noticia/2026/03/usp-lanca-programa-de-genetica-e-melhoramento-animal-para-gado-de-corte.ghtml>. Acesso em: 31 mar. 2026.
A recente escalada do conflito no Oriente Médio desencadeou uma crise imediata no mercado global de fertilizantes, com impactos diretos sobre a agricultura brasileira. Em apenas três semanas, o preço da ureia, principal fertilizante nitrogenado utilizado no campo, saltou de US$ 350 para US$ 550 por tonelada, uma alta de quase 60%. O fertilizante fosfatado MAP seguiu trajetória semelhante, passando de US$ 520 para US$ 710 por tonelada. Esses aumentos refletem a importância do Irã na cadeia global de nitrogenados e o encarecimento do petróleo, matéria-prima essencial na produção desses compostos.
Um efeito específico dessa crise sobre o Brasil decorre de uma dependência estrutural, visto que, nosso país importa, em média, 85% dos fertilizantes que consome. No caso específico dos nitrogenados, esse índice chega a 95%. Em 2000, o Brasil produzia 39% da ureia consumida internamente; em 2020, essa fatia havia despencado para apenas 4,3%. A queda da capacidade produtiva nacional ao longo de duas décadas, por decisão da Petrobras, que alegou custo de produção quatro vezes superior ao de países como Irã e Rússia, deixou o agronegócio brasileiro sem qualquer amortecedor diante de choques externos.
Além disso, a restrição simultânea de exportações pela China, agrava o cenário e demonstra como o país está exposto a múltiplas fontes de vulnerabilidade ao mesmo tempo. Os impactos tendem a se propagar pela cadeia produtiva: culturas como milho e trigo, altamente dependentes de adubação nitrogenada, podem registrar aumento de custos que, dependendo do comportamento dos preços internacionais das commodities, será absorvido pelo produtor ou repassado ao consumidor final. O primeiro relatório de plantio da safra norte-americana, previsto para o final de março, deve ser um indicador importante para a direção dos preços nos próximos meses.
Dessa forma, o episódio evidencia, também, a descontinuidade de estratégias de longo prazo. O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2021 com a meta de elevar a produção nacional para 50% do consumo interno até 2050, foi abandonado com a mudança de governo. A crise atual é, em larga medida, a consequência previsível dessa interrupção. Um país que lidera rankings de produtividade agrícola mundial não pode permanecer estruturalmente dependente de 85% de importação de insumos básicos sem pagar um preço alto a cada nova instabilidade geopolítica.
Fonte:
CPG. Preço da ureia disparou quase 60% em apenas 3 semanas e a China cortou exportações de fertilizantes para o Brasil: agronegócio brasileiro entra em estado de alerta com guerra no Oriente Médio ameaçando a próxima safra. 24 de março de 2026. Disponível em: <https://clickpetroleoegas.com.br/preco-da-ureia-disparou-quase-60-em-apenas-3-semanas-e-a-china-cortou-exportacoes-de-fertilizantes-para-o-brasil-mhbb01/>. Acesso em: 29 mar. 2026.
O crédito rural no Brasil apresentou crescimento no Plano Safra 2025/2026, alcançando R$ 354,4 bilhões em contratos entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, o que representa um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crédito rural se trata, basicamente, do financiamento destinado ao segmento rural, onde os produtores utilizam os recursos concedidos pelas instituições financeiras nessa linha de crédito de diversas maneiras na sua propriedade. Dessa forma, os recursos efetivamente concedidos, ou seja, aqueles cujas operações já contratadas também tiveram liberação na conta do produtor, totalizaram R$ 342,9 bilhões, com crescimento de 4%.
O principal agente desse avanço foi a Cédula de Produto Rural (CPR), um título de crédito que representa uma promessa de entrega futura de produtos agropecuários em troca de dinheiro antecipado. Assim, trata-se de uma das principais ferramentas de crédito e planejamento no agronegócio, permitindo que o produtor compre insumos sem depender apenas dos bancos tradicionais. As contratações via CPR chegaram a R$ 163,4 bilhões, com crescimento de 39% em relação à safra anterior.
Outro destaque importante foi a industrialização, que apresentou expansão de 56% nas contratações, que atingiram R$ 22,2 bilhões, o maior crescimento entre todas as finalidades. Nas concessões, o segmento avançou 51%, chegando a R$ 21,5 bilhões. Por outro lado, o custeio e o investimento, que são linhas tradicionais de crédito, tiveram uma queda. Nesse cenário, o custeio contratado recuou 13%, para R$ 106,4 bilhões, enquanto os recursos concedidos caíram 16%, totalizando R$ 103,4 bilhões. Já o investimento apresentou retração ainda mais acentuada: queda de 20% nas contratações, que somaram R$ 39,5 bilhões, e de 33% nas concessões, que chegaram a R$ 33,0 bilhões.
Esse cenário tem impacto direto no mercado de trabalho do agronegócio, pois o avanço da industrialização e o uso de instrumentos financeiros como a CPR ampliam a demanda por profissionais qualificados, refletindo transformações no perfil das oportunidades de trabalho. Com o crescimento de 7% nas contratações via CRP, as empresas do setor e as instituições financeiras precisam de profissionais que entendam de análise de risco, crédito e mercado de capitais, ao passo que o salto de 56% no crédito para agroindústria promove a criação de empregos na área industrial, na logística e na engenharia de alimentos e da produção.
Fonte:
AGRISHOW DIGITAL. Cédula de Produto Rural: o que é, como funciona e benefícios. Agrishow, Ribeirão Preto, 2024. Disponível em: <https://digital.agrishow.com.br/gestao/cedula-de-produto-rural-o-que-e-como-funciona-e-beneficios/>. Acesso em: 31 mar. 2026.
BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Crédito rural cresce 7% no Plano Safra 2025/2026 e totaliza R$ 354,4 bilhões contratados até fevereiro. Gov.br, Brasília, 10 mar. 2026. Disponível em: <https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/credito-rural-cresce-7-no-plano-safra-2025-2026-e-totaliza-r-354-4-bilhoes-contratados-ate-fevereiro>. Acesso em: 31 mar. 2026.
BRASIL. Banco Central do Brasil. Crédito Rural. Gov.br, Brasília, 31 mar. 2026. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/creditorural>. Acesso em: 31 mar. 2026.
O encerramento do primeiro trimestre de 2026 apresenta um cenário de alerta máximo para os produtores gaúchos, onde a combinação entre a alta dos combustíveis e a irregularidade das chuvas ameaça o potencial produtivo da safra de verão. O aumento expressivo no preço do óleo diesel impacta diretamente os custos de colheita e o frete logístico, reduzindo as margens de lucro em um momento em que o escoamento da produção é vital. Esse choque nos custos operacionais força o setor a buscar estratégias de otimização de frota e telemetria para mitigar perdas financeiras diante da volatilidade econômica (ESTADÃO, 2026).
No aspecto climático, a estiagem prolongada em regiões produtoras estratégicas do estado interrompeu o desenvolvimento fenológico de culturas como soja e milho, afetando o enchimento de grãos. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a irregularidade hídrica em março já provoca revisões negativas nas estimativas de produtividade por hectare, com perdas que podem variar entre 10% e 15% em áreas sem irrigação assistida. A falta de umidade no solo compromete não apenas o volume colhido, mas também a qualidade nutricional dos grãos, pressionando o mercado regional de suprimentos.
Além das culturas de sequeiro, o setor arrozeiro também enfrenta desafios com os níveis dos reservatórios para a irrigação final das lavouras. Segundo levantamentos técnicos do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a baixa disponibilidade de água em bacias hidrográficas importantes exige um manejo de insumos hídricos extremamente rigoroso para evitar o estresse salino e garantir a sanidade das plantas. Esse cenário evidencia a urgência de investimentos em tecnologias de sementes mais tolerantes ao estresse hídrico e sistemas de irrigação inteligente que maximizem cada milímetro de água disponível.
Fonte:
COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). Boletim de Monitoramento Agrícola: Impactos Climáticos na Safra de Verão. Brasília, mar. 2026. Disponível em: <https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/safra-de-graos/monitoramento-agricola/boletim-de-monitoramento-dos-cultivos-de-verao-2013-marco-2026/view.> Acesso em: 30 mar. 2026.
ESTADÃO. Diesel e estiagem ameaçam safra de verão no Rio Grande do Sul. São Paulo, mar. 2026. Disponível em: <https://agro.estadao.com.br/agricultura/diesel-e-estiagem-ameacam-safra-de-verao-no-rio-grande-do-sul.> Acesso em: 30 mar. 2026.
INSTITUTO RIO GRANDENSE DO ARROZ (IRGA). Relatório de Safra e Níveis de Reservatórios: Março 2026. Porto Alegre, mar. 2026. Disponível em: <https://irga.rs.gov.br.> Acesso em: 30 mar. 2026.
Fonte: Globo Rural.
A edição de 2026 do Show Safra 2026, realizado em Lucas do Rio Verde/MT, trouxe em destaque um dos debates mais importantes do agronegócio brasileiro: a dependência do diesel e seus impactos econômicos e ambientais. Em meio à alta dos combustíveis fósseis e à instabilidade do cenário internacional, a feira apresentou soluções inovadoras que podem transformar a matriz energética no campo. Entre os destaques, está a conversão de máquinas agrícolas para o uso de etanol, tecnologia desenvolvida por uma startup brasileira que promete reduzir custos operacionais, aumentar a potência dos equipamentos e, principalmente, diminuir significativamente as emissões de carbono.
Outro avanço relevante foi a apresentação de caminhões movidos a biodiesel produzido a partir da soja, reforçando o conceito de economia circular dentro do próprio agronegócio. Essa alternativa permite que o setor produza parte do combustível que consome, reduzindo a dependência de importações e tornando a atividade mais resiliente frente às oscilações do mercado global. Além disso, a feira evidenciou o uso de tecnologias como drones, máquinas de última geração e inovações em genética vegetal, que contribuem para maior eficiência produtiva e uso racional de insumos.
Sob a perspectiva da sustentabilidade, as soluções apresentadas apontam para uma transição energética no campo, com foco em fontes renováveis e menor impacto ambiental. A substituição parcial ou total do diesel por biocombustíveis como etanol e biodiesel não apenas reduz a pegada de carbono da produção agrícola, como também fortalece a autonomia energética do setor. Nesse contexto, o evento consolida a ideia de que inovação e sustentabilidade deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos estratégicos para garantir competitividade, eficiência e segurança no agronegócio brasileiro.
Fonte:
SHOW SAFRA 2026. Show Safra 2026 apresenta alternativas ao diesel e pode revolucionar o agronegócio brasileiro. 28 de março de 2026. Disponível em: <https://liberdadeab.com.br/noticia/13226/show-safra-2026-apresenta-alternativas-ao-diesel-e-pode-revolucionar-o-agronegocio-brasileiro/?utm_source=chatgpt.com>. Acesso em: 30 mar. 2026.